Sete da manhã. Acorda. Vai para a parada. Ônibus. Olha o relógio. Atraso. Corre. Sinal vermelho. Escritório. Papelada. Cafezinho. Mais papelada. Meio dia. Almoço. Duas da tarde. Mais papelada! Cafezinho! Papelada! Sinal vermelho! Corre! Atraso! Olha o relógio! Ônibus! Vai para a parada! Vou poder acordar agora?
Juliana Góes
"E quando as coisas desse mundo já não nos atraem, percebemos que não fazemos parte daqui". (Adaptção C. S. Lewis)
domingo, 22 de abril de 2012
A morte dos poetas
Sete da manhã. Acorda. Vai para a parada. Ônibus. Olha o relógio. Atraso. Corre. Sinal vermelho. Escritório. Papelada. Cafezinho. Mais papelada. Meio dia. Almoço. Duas da tarde. Mais papelada! Cafezinho! Papelada! Sinal vermelho! Corre! Atraso! Olha o relógio! Ônibus! Vai para a parada! Vou poder acordar agora?
sexta-feira, 2 de março de 2012
A crueldade de nos sentirmos mais vivos depois de conhecer a morte.
Ela chegou correndo. Foi até a recepção, perguntou pela Almerinda, quarto 1005. Subiu o elevador angustiada, os olhos inchados pelas lágrimas anteriores. Terceiro andar, o elevador faz uma pausa para um senhor entrar. Ela irrita-se com o atraso, mesmo sabendo que não podia evitar o que já havia acontecido. Décimo andar. A porta do elevado abre e a euforia vai embora, mas parece ter derramado um copo de medo com gotas de pânico antes de sair. Os passos seguintes tonam-se incertos, o corpo vacila enquanto o coração congela. Os rostos que o olhar alcança tornam-se familiares. "Meus pêsames" misturam-se com soluços dos mais íntimos. Ela anda mecanicamente até o quarto.
Abri a porta e entrei enquanto ela fechava-se atrás de mim. Lá estava. Minha bisavó. Mentira. Era só um cadáver. Inchado, deformado. Errado de novo. Ainda era minha bisavó. E nenhuma das ideias anteriores se contradizia. Era um corpo estendido em uma cama e este era o mesmo que me fazia feliz apenas com um abraço. Era um cadáver e minha bisavó. Era um só. Era o cadáver da minha bisavó.
Ela olhou para um lado e para outro. Não havia ninguém. Finalmente seu corpo deixou-se relaxar... O texto pode ficar menos corrido, agora afinal, ela só sentou no chão e deixou o resto das lágrimas escorrerem e secarem no seu rosto.
Abri a porta e entrei enquanto ela fechava-se atrás de mim. Lá estava. Minha bisavó. Mentira. Era só um cadáver. Inchado, deformado. Errado de novo. Ainda era minha bisavó. E nenhuma das ideias anteriores se contradizia. Era um corpo estendido em uma cama e este era o mesmo que me fazia feliz apenas com um abraço. Era um cadáver e minha bisavó. Era um só. Era o cadáver da minha bisavó.
Ela olhou para um lado e para outro. Não havia ninguém. Finalmente seu corpo deixou-se relaxar... O texto pode ficar menos corrido, agora afinal, ela só sentou no chão e deixou o resto das lágrimas escorrerem e secarem no seu rosto.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Sem título
É simples assim
Sem título
Sem assunto
Uma epifania de madrugada
Mal feita
Mal acabada.
Mal acabada.
É uma ideia pela metade
Um abraço frouxo
Uma poesia abortada
Uma reestréia com gosto.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Dourado
Afirmo que não se deve entender
Se entedesse tudo
Em tudo não veria graça
Nem mistério.
Ainda penso nos amores perdidos
Nos herdados
Nos não vistos
E nos encontrados.
Sorrio.
O tempo já deveria estar morto
Para que pudéssemos ser eternos.
O meu tempo é único
Repleto de incoerências.
Meus minutos são sorrisos.
E tento,
mas só tento,
fazer das lágrimas apenas segundos.
Tentava definir uma amizade
Mas para isso
Deveria prendê-la
Ela é um passáro selvagem.
Não se entende
Não se conhece.
Apenas sente.
Se entedesse tudo
Em tudo não veria graça
Nem mistério.
Ainda penso nos amores perdidos
Nos herdados
Nos não vistos
E nos encontrados.
Sorrio.
O tempo já deveria estar morto
Para que pudéssemos ser eternos.
O meu tempo é único
Repleto de incoerências.
Meus minutos são sorrisos.
E tento,
mas só tento,
fazer das lágrimas apenas segundos.
Tentava definir uma amizade
Mas para isso
Deveria prendê-la
Ela é um passáro selvagem.
Não se entende
Não se conhece.
Apenas sente.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Tributo aos beijos, abraços e às noites estreladas.
Quando o tempo passar e você deixar de me amar lembre-se dos nossos momentos felizes. Afogue as brigas, mágoas, angústias e choros no travesseiro das nossas noites. Faça um moisaico com os poucos objetos que te fazem lembrar de mim e pendure na sua sala. Transcreva todos os prazeres em poesias.
Quando o tempo passar e você deixar de me amar não comente sobre mim para os amores que ainda terá. Exceto para aquela que te fará feliz durante todo o resto de sua vida, pois ela terá compartilhado comigo a experiência de noites sem dormir pensando em você. Mas não lhe morda e nem faça cócegas, para que tenha "só os meus" gritos e escândalos para lembrar.
Quando o tempo passar e você deixar de me amar lembre-se do meu sorriso e esqueça todas às vezes que chorei na sua frente. Desconstrua todos os mitos e verdades que guarda sobre mim e desenhe-me em seu coração como um quadro colorido, alegre e bobão. Arrancaste-me poucas lágrimas e muitos risos, por isso só estes te entrego.
Quando o tempo passar e você deixar de me amar, somente uma vez, corteje a loucura que eu cortejei. Ame, apegue-se, entregue-se, caia em prantos, dê gargalhadas, morra de saudade, de razão ao irracional, seja o presente de alguém, "passe mal", conforme eu faço com e por você. Continue a achar errado, mas experimente.
Quando o tempo passar e você deixar de me amar sorria sempre que ver o nascer do sol. Conte as estrelas e entenda o nexo do mundo da lua uma vez ao mês. Eu estarei fazendo o mesmo. Vá até o outro lado do seu mundo vez ou outra para me desejar um bom dia.
E se o tempo já tiver passado e você já tiver se esquecido de mim, apenas aplique a lição acima.
domingo, 26 de setembro de 2010
O Equilíbrio da Instabilidade
Maria já comeu hoje a comida de ontem. João apostou que o seu time ganharia, como fizera nas cinco últimas apostas que perdera. Pedro cansou da vida promíscua dos bares e procurou a igreja atrás de uma mulher menos rodada. Ana vendeu seu carro para pagar umas dívidas e agora anda com o novo modelo. Carol diz que não gosta de vodka por isto aos sábados bebe só pela manhã. Eduardo luta pelo comunismo e sabe de cor o Manifesto, mas hoje não foi a reunião do partido porque tênis da Nike que pediu de natal ficou apertado e ele precisava trocar. Jéssica diz que o ser humano é incoerente e não sabe dar amor, por isto passa mais tempo no zoológico onde trabalha do que com os filhos. Joana mora na quarta ponte da cidade junto aos sete irmãos e diz que é feliz com eles. Guilherme nunca foi à escola, desde pequenino trabalhava em lavouras. Nas épocas de colheita sempre abria muitas vagas e ele gostava das prostitutas que os patrões mandavam para lá. Ninguém conhece "as caras dos caras" da indústria de cigarro. Dizem que devemos ter idéias inovadoras, só o carro a gás que é patenteado e engavetado. Renato, servidor público, é contra o governo populista de Lula e votará na Dilma porque assim o seu aumento chegará mais rápido. Larissa brigou com o pai porque ela quer cursar matemática na faculdade e ele a quer fazendo medicina, para que ela tenha um futuro mais promissor que o dele, professor de português louco para trabalhar em escola pública, onde ganhará e folgará mais na semana. Tão errado e belo, certo e feio, este seu jeito de pensar. E como é linda a magnífica técnica que você tem, esta sua arte de viver a normalidade insana...
domingo, 22 de agosto de 2010
Achados e Perdidos
Eu olhei o meu dia
E não te vi.
Procurei no sofá,
nas estantes, esquinas.
Achei moedas, as chaves,
amigos e putas.
Então busquei-te em mim
E me desesperei....
Achei a necessidade de Ti
A saudade incontrolável
O desejo não afável
A intríseca
E seca
Dor de não te ver.
Eu olhei meu dia...
E não te vi.
Procurei no presente e passado
Nas fotos velhas, álbuns rasgados
No baú de paletós amarelados
Procurei no incompleto
No interminado e sem prazo
Futuro meigo e incerto
Achei o medo
A lágrima, o riso
O par da meia
A tampa da caneta
A coragem não revelada
A falta de padrão
Deste mundo doente
Tão igual, solitário...
Somos achados e perdidos
Dançando calados
Somos abraços esperando
Para serem abraçados
Somos as palavras no silêncio
Que brincam nestes ditados
Não ditos...
Eu olhei o meu dia
E vi que te amo.
Dedicado ao Oleiro.
E não te vi.
Procurei no sofá,
nas estantes, esquinas.
Achei moedas, as chaves,
amigos e putas.
Então busquei-te em mim
E me desesperei....
Achei a necessidade de Ti
A saudade incontrolável
O desejo não afável
A intríseca
E seca
Dor de não te ver.
Eu olhei meu dia...
E não te vi.
Procurei no presente e passado
Nas fotos velhas, álbuns rasgados
No baú de paletós amarelados
Procurei no incompleto
No interminado e sem prazo
Futuro meigo e incerto
Achei o medo
A lágrima, o riso
O par da meia
A tampa da caneta
A coragem não revelada
A falta de padrão
Deste mundo doente
Tão igual, solitário...
Somos achados e perdidos
Dançando calados
Somos abraços esperando
Para serem abraçados
Somos as palavras no silêncio
Que brincam nestes ditados
Não ditos...
Eu olhei o meu dia
E vi que te amo.
Dedicado ao Oleiro.
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